Economia Política Internacional da Saúde, autonomia estratégica e segurança nacional

Raphael Padula

Resumo


Partindo do cenário econômico e político internacional da saúde, caracterizado como um ambiente competitivo e conflituoso, mas também concentrado nas mãos de um grupo de Estados e empresas transnacionais, o artigo analisa a importância das relações interestatais e entre Estado e mercado para a autonomia estratégica de Estados periféricos. Em particular, aborda-se a discussão sobre a ampliação da agenda de segurança dos âmbitos estritamente militar e nacional, propondo o conceito de segurança de saúde como fundamental para a segurança nacional, e suas conexões com as seguranças econômica, política, societal e militar. O argumento central sustenta que, diante do cenário internacional de saúde, Estados periféricos devem buscar a construção de um complexo industrial de saúde próprio e conectado ao industrial-militar, para alcançar sua autonomia estratégica e segurança nacional, diminuindo suas vulnerabilidades externas politicas e econômicas. Tal construção passa pela internalização da produção material e não material e da propriedade de empresas. Utilizando o arcabouço da Economia Política Internacional, combinando o estruturalismo econômico com o realismo da política internacional, o artigo se apoia em revisão bibliográfica de conceitos, dados e experiências históricas de países selecionados e de conflitos de interesses no âmbito internacional. 


Palavras-chave


saúde; segurança; autonomia estratégica; indústria de defesa

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DOI: http://dx.doi.org/10.21530/ci.v12n2.2017.641

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