Ontocídio
Por uma Radicalização Ôntica da Crítica Decolonial nas Relações Internacionais
DOI:
https://doi.org/10.21530/ci.v20n3.2025.1556Palavras-chave:
Ontocídio, Relações Internacionais, Decolonialidade, Virada Ontológica, MultiplicidadeResumo
Este artigo introduz e articula o conceito de ontocídio para radicalizar o projeto decolonial nas Relações Internacionais (RI). Definimos ontocídio como a violência fundadora da modernidade colonial: o processo sistemático de aniquilação de modos de existência e mundos de vida que desafiam a ontologia liberal-colonial-moderna. Argumentamos que o foco predominante na colonialidade do saber (epistemicídio), ainda que crucial, mantém um viés ao não confrontar esta dimensão ôntica mais profunda. Para demonstrar a operacionalidade do conceito, analisamos três eixos canônicos das RI: a negação da coetaneidade de formas políticas outras (o mito de Westfália), o apagamento da relacionalidade radical do internacional (a “Prisão da Ciência Política”) e a hierarquização do ser pela matriz colonial. Concluímos que a superação dessas operações ontocidas exige mais que o pluralismo epistemológico; demanda uma virada ontológica rumo a uma política da multiplicidade. Esta, fundamentada no reconhecimento da primazia das relações, tem como horizonte a coexistência de mundos plurais e irredutíveis, para além da mera inclusão no universo categorial moderno.
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