Carta Internacional
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<p>A <em>Carta Internacional</em> é uma publicação digital e quadrimestral da <a href="http://www.abri.org.br">Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI)</a> destinada a promover o debate intelectual a respeito dos principais temas das relações internacionais, sob a perspectiva brasileira. Seu principal objetivo é promover o intercâmbio de conhecimento entre pesquisadores e divulgar conteúdos de qualidade para a compreensão da realidade nacional e internacional.</p>Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI)pt-BRCarta Internacional2526-9038<p>Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:</p> <ul> <li class="show">Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" rel="license">Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional</a> que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.</li> <li class="show">Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.</li> </ul>Remessas invisíveis
https://cartainternacional.abri.org.br/Carta/article/view/1595
<p>Este artigo analisa como o trabalho de cuidado e emocional realizado por mulheres migrantes constitui uma ‘remessa invisível’ que sustenta a economia global, mas é excluída das estatísticas e políticas econômicas. Com base na economia política feminista, argumenta-se que o produtivismo e a desvalorização do cuidado sustentam a precarização feminina, especialmente nas cadeias globais de cuidado. Para tal, apresentam-se dados estimativos sobre o peso das mulheres nas remessas monetárias internacionais e discute-se a invisibilidade das remessas afetivas. Conclui-se pela necessidade de repensar conceitos econômicos e adotar metodologias que reconheçam o trabalho reprodutivo — de cuidado e emocional — como parte essencial das economias.</p>Georgia Paula Martins Faust
Copyright (c) 2026 Georgia Paula Martins Faust
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2026-03-102026-03-10203e1595e159510.21530/ci.v20n3.2025.1595Ontocídio
https://cartainternacional.abri.org.br/Carta/article/view/1556
<p>Este artigo introduz e articula o conceito de ontocídio para radicalizar o projeto decolonial nas Relações Internacionais (RI). Definimos ontocídio como a violência fundadora da modernidade colonial: o processo sistemático de aniquilação de modos de existência e mundos de vida que desafiam a ontologia liberal-colonial-moderna. Argumentamos que o foco predominante na colonialidade do saber (epistemicídio), ainda que crucial, mantém um viés ao não confrontar esta dimensão ôntica mais profunda. Para demonstrar a operacionalidade do conceito, analisamos três eixos canônicos das RI: a negação da coetaneidade de formas políticas outras (o mito de Westfália), o apagamento da relacionalidade radical do internacional (a “Prisão da Ciência Política”) e a hierarquização do ser pela matriz colonial. Concluímos que a superação dessas operações ontocidas exige mais que o pluralismo epistemológico; demanda uma virada ontológica rumo a uma política da multiplicidade. Esta, fundamentada no reconhecimento da primazia das relações, tem como horizonte a coexistência de mundos plurais e irredutíveis, para além da mera inclusão no universo categorial moderno.</p>Vinícius Armele
Copyright (c) 2025 Vinícius Armele
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2025-12-282025-12-28203e1556e155610.21530/ci.v20n3.2025.1556A inteligência artificial e o nevoeiro da guerra
https://cartainternacional.abri.org.br/Carta/article/view/1586
<p>O uso crescente da inteligência artificial no campo militar tem despertado reflexões sobre como essa tecnologia poderia mudar a forma como lidamos com as incertezas da guerra. Este artigo analisa a influência da inteligência artificial sobre o conceito clausewitziano de “nevoeiro da guerra”, considerando as transformações nos conflitos contemporâneos, com ênfase na guerra entre Rússia e Ucrânia. A partir de uma abordagem qualitativa, conclui-se que, embora a inteligência artificial contribua para a compressão dos ciclos decisórios e a ampliação da consciência situacional, essa tecnologia não elimina a incerteza inerente à guerra, ao contrário, a reconfigura.</p>Thiago SantosRachel Soares
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2025-12-282025-12-28203e1586e158610.21530/ci.v20n3.2025.1586Transforming Ukraine
https://cartainternacional.abri.org.br/Carta/article/view/1578
<p lang="en-US" align="justify">This article analyzes Russia’s 2022 full-scale invasion of Ukraine, seeking to explain the motivations behind Russia’s decision to carry out this action. With a perspective that draws attention to great powers’ perceptions about the connections between other states’ domestic politics and the global balance of power, the paper argues that Russia, with the 2022 invasion, sought to reverse trends in state-society relations in Ukraine which influenced both foreign and domestic policies in a direction that Moscow considered detrimental to its interests regarding Ukraine.</p>Gustavo Oliveira Teles de Menezes
Copyright (c) 2026 Gustavo Oliveira Teles de Menezes
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2026-03-102026-03-10203e1578e157810.21530/ci.v20n3.2025.1578Entre Rios e Contradições
https://cartainternacional.abri.org.br/Carta/article/view/1581
<p>Este artigo analisa os investimentos chineses no setor energético brasileiro sob as lentes da Ecologia Política e da Economia Política Internacional, a partir de uma abordagem qualitativa baseada em estudos de caso das usinas de São Manoel, Teles Pires e Tapajós. O trabalho se fundamenta no levantamento sistemático e na análise de dados empíricos sobre investimentos chineses no Brasil, articulados a fontes primárias institucionais e documentais, como relatórios do CEBC, ANEEL, FIDH, EJAtlas e do Ministério Público Federal. Investiga-se de que modo megaprojetos sustentados pelo discurso da transição energética e da cooperação Sul-Sul reproduzem dinâmicas de dependência, despossessão territorial e injustiça ambiental. Argumenta-se que o greenwashing opera como estratégia geopolítica e retórica legitimadora desses empreendimentos, enquanto comunidades indígenas e organizações transnacionais articulam formas de resistência frente à violação de direitos. Sustenta-se, por fim, que a transição energética conduzida sob a lógica do capitalismo verde aprofunda a mercantilização da natureza, evidenciando a necessidade de abordagens ancoradas na justiça ambiental e na soberania dos territórios.</p>Helena Luiza Matuo RodriguesFernando Romero Wimer
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2025-12-282025-12-28203e1581e158110.21530/ci.v20n3.2025.1581Entre a Paz e a Violência
https://cartainternacional.abri.org.br/Carta/article/view/1582
<p>O artigo analisa o paradoxo entre o pacifismo da política externa brasileira e a violência estrutural no plano doméstico. Enquanto o Brasil é reconhecido por sua atuação pacífica em fóruns internacionais, sua formação estatal foi marcada por práticas violentas, repressão e desigualdade. A pesquisa, de abordagem qualitativa e exploratória, utiliza análise historiográfica e dados secundários sobre violência interna. Conclui-se que o pacifismo internacional brasileiro é mais uma estratégia identitária do que um reflexo da realidade doméstica, evidenciando contradições na imagem do país como promotor da paz.</p>Túlio Sérgio Henriques FerreiraMarcos Alan Shaikhzadeh Vahdat FerreiraJean Lucas de França Santos
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2026-03-102026-03-10203e1582e158210.21530/ci.v20n3.2025.1582