A Construção da Paz no Cenário Internacional: Do Peacekeeping Tradicional às Críticas ao Peacebuilding Liberal

Lucas Guerra, Ramon Blanco

Resumo


O presente artigo tem por objetivo fazer uma contextualização geral a respeito das operações de paz das Nações Unidas. Primeiramente, enfatiza-se a possível relação entre o desenvolvimento histórico dessas operações e os distintos contextos internacionais no qual se inserem. Um maior destaque é dado às operações de paz contemporâneas, especialmente as de peacebuilding. São investigados os pressupostos normativos subjacentes ao modelo de atuação dessas, suas características centrais e as principais críticas que recebem em sua
configuração atual. Com base em uma metodologia essencialmente qualitativa, com ampla revisão bibliográfica acerca do tema, foi possível constatar que o modo de atuação assumido pelas operações de paz é responsivo às tendências e agendas assumidas em um contexto internacional mais amplo. No caso das operações de peacebuilding, verifica-se que assimilam em suas diretrizes os princípios da “paz liberal” dominantes no cenário internacional pós-Guerra Fria, buscando disseminar democracias liberais orientadas para o livre mercado como estratégia ideal para a construção da paz em cenários pós-conflito. Há, porém, uma série de críticas à forma de atuação das operações de paz nesses cenários, desde algumas de caráter procedimental até aquelas estruturais que questionam os próprios pressupostos normativos da paz liberal e sua incidência junto às populações locais.


Palavras-chave


operações de paz; peacebuilding; paz liberal

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DOI: https://doi.org/10.21530/ci.v13n2.2018.775

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