O diálogo entre saúde e política externa brasileira nos governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010)

Tayná Marques Torres Barboza, Letícia Pinheiro, Fernando Pires-Alves

Resumo


O presente artigo busca verificar a instrumentalidade do tema da saúde para a participação ativa e propositiva do Brasil na política internacional entre 1995 e 2010. O tema provocava discussões complexas, constantes e marcantes em diversos fóruns globais nesse período, quando os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva buscavam uma atuação internacional relevante e influente. Seus governos divergiam sobre as responsabilidades e oportunidades do Brasil no sistema internacional, mas compartilhavam o objetivo de assumir posição de influência na política internacional. Na busca estratégica por credibilidade, no período FHC, e por autonomia, no período Lula da Silva, o país assumia uma espécie de dever global, que seria realizado por meio de diversas parcerias internacionais e pela participação em instituições globais de relevo. Nesse esforço, parecia necessário formalizar o tratamento do tema da saúde na agenda da política externa brasileira, o que ocorreria em um processo de institucionalização que implicou, entre 1995 e 2010, a adoção de mudanças no nível político-administrativo dos ministérios das Relações Exteriores e da Saúde e em menções crescentes ao tema da saúde nos discursos das autoridades brasileiras nos fóruns internacionais.

Palavras-chave


Política Externa Brasileira; Saúde Global; Diplomacia da Saúde

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DOI: https://doi.org/10.21530/ci.v12n3.2017.630

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