A integração produtiva regional: uma nova escala nas relações capital-trabalho

Adriana Botelho

Resumo


Entre as transformações observadas nas últimas décadas do século XX no modo de produção capitalista, destaca-se a maior mobilidade do capital industrial, em decorrência da abertura e desregulamentação dos mercados nacionais, e também da formação e/ou fortalecimento de blocos econômicos regionais. No caso da América do Sul, o estabelecimento do Mercado Comum do Sul (Mercosul), além de aumentar os fluxos comerciais entre os países membros, contribuiu para a possibilidade de uma maior integração das cadeias produtivas de setores industriais dos distintos países, para uma focalização das atividades, para a redução do número de unidades produtivas e para a ampliação do leque de alternativas de localização das plantas industriais. Ao mesmo tempo em que o capital, que passa a ter maior liberdade de movimento, acelera o seu “espaço-tempo”, a classe trabalhadora ainda enfrenta controles em sua mobilidade, além de grandes dificuldades para uma organização transfronteiriça que possa responder à nova geografia industrial, ficando em nítida desvantagem no processo negociador.

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