
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 14, n. 3, 2019, p. 110-141
125Cristina Soreanu Pecequilo; Marcela Franzoni
poderia ser atingido com uma “política externa responsável”, de atenção à gover-
nança internacional, às agendas de sustentabilidade e progresso humano (MÉXICO,
PRESIDENCIA DE LA REPÚBLICA, 2007). A projeção mais ampla ou “multivetorial”
do México no sistema internacional não significa se afastar dos EUA. A CELAC
e a Aliança do Pacífico são iniciativas pouco formalizadas, que não questionam
a influência da grande potência no continente e na política externa do México.
Reconhece-se que a “América do Norte é a região do mundo que possui maior
impacto sobre o bem-estar e o futuro do México em termos humanos, econômicos,
comerciais e políticos”
25
(MÉXICO, PRESIDENCIA DE LA REPUBLICA, 2007, p. 295,
tradução nossa). Para que o NAFTA respondesse de forma mais efetiva aos
novos desafios do sistema internacional e do “desenvolvimento compartilhado”,
seria necessário que se avançassem “[…] a etapas superiores de concentração
econômica”
26
(MÉXICO, PRESIDENCIA DE LA REPUBLICA, 2007, p. 295, tradução
nossa), além de ser um objetivo prioritário do México o estabelecimento de uma
solução duradoura para a problemática migratória.
Mesmo diante do discurso de diversificação de parcerias e das iniciativas
práticas, continuam em vigor, como principal objetivo da política externa do
México, as relações com os EUA. Calderón não se afastou do vizinho em termos
econômicos e estratégicos, pelo contrário, ambos expandiram a cooperação para
o âmbito militar. A participação do México nas iniciativas regionais representou a
recomposição dos laços com a América Latina e o Caribe e a expansão do espaço
de projeção política do México, sem ampliação dos vínculos econômicos:
Quadro 3 – Parceiros de Exportação do México (2007/2012) – Participação em %
2007 2008 2009 2010 2 011 2012
Estados Unidos 80,1 80,1 80,5 79,9 78,5 77,6
ALADI 3,8 4,8 4,3 5,0 5,4 5,6
América Central 1,2 1,3 1,3 1,2 1,2 1,2
União Europeia 4,9 5,8 5,0 4,8 5,4 5,9
China 0,6 0,7 0,9 1,4 1,7 1,5
Japão 0,7 0,7 0,6 0,6 0,6 0,7
Fonte: Elaboração própria com base em Banco de México (2017) e Secretaria de Economia (2019).
25 Do original: “América del Norte es la región del mundo que tiene mayor impacto sobre el bienestar y el
futuro de México en términos humanos, económicos, comerciales y políticos” (MÉXICO, PRESIDENCIA DE LA
REPÚBLICA, 2007: p. 295).
26 Do original: “La región de América del Norte debe adecuar sus dinámicas de interacción institucional para
responder a los nuevos retos de la competencia, la regionalización y el desarrollo compartido, avanzando hacia
etapas superiores de concertación económica” (MÉXICO, PRESIDENCIA DE LA REPÚBLICA, 2007: p. 195).