
Economias em conflito: a estratégia da comunicação diplomática em guerras comerciais
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1620, 2026
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e perturbações, que tornam o sistema completamente instável. É nesse campo
fértil que a diplomacia assume papel de relevo. O desafio diplomático consiste
em encontrar alguma forma de racionalização que ambos os atores possam
reconhecer como equilíbrio ideal.
Os paradigmas dominantes das relações internacionais, como o neorrealismo
e o neoliberalismo, dão, porém, limitada importância à diplomacia. A negociação,
o maior atributo diplomático, reflete, apenas, aspectos estruturais da ordem
internacional (Hampson, Crocker, e Aall 2013). Para o realismo político, a capacidade
material dos estados define quem prevalece. Países dotados de maior poder
usam a superioridade para coagir e persuadir os mais fracos a submeterem-se
(Hampson, Crocker e Aall. 2013, 324). Para o liberalismo, o resultado das negociações
internacionais limita-se às preferências dos atores, com soluções predeterminadas.
A exceção é a Escola Inglesa, para a qual a diplomacia é instituição primária,
que molda profundamente as práticas de ordenamento internacional (Bull 1994).
Quando reestruturada, há consequências relevantes para as relações internacionais,
podendo-se por exemplo, dificultar a negociação de acordos relevantes, ou escalar
tensões, em lugar de reduzi-las. São efeitos de relevo para a ordem internacional,
mas que não foram especificados nem por Colin Wight, nem por Hedley Bull,
o que restringe a aplicação dessa corrente teórica.
Os fundamentos da teoria dos jogos, por sua vez, concentram-se no processo
de tomada de decisões, dotando-o de alto rigor científico (Bjola 2018). A estrutura
básica parte do nível do indivíduo, das estratégias ou escolhas que enfrenta,
a maneira como as decisões são sequenciadas, as preferências dos atores e as
informações que possuem quando fazem suas escolhas. São fatores exógenos,
tomados como constantes, para permitir análise matemática sobre diversas
questões substantivas (Munck 2001).
Para esse paradigma teórico, a natureza da comunicação entre os atores
torna-se indispensável. Como ressaltam Bjola e Kornprobst o diplomata é, acima
de tudo, um comunicador. A diplomacia é atividade comunicativa altamente
institucionalizada, que depende de técnicas e habilidades (2018, 93). A retórica
diplomática é peça-chave para se alcançar êxito em negociações, e as categorias
abrangem desde conversas informais (“cheap talk”) a diálogos altamente
estruturados (“dialogue”). Na diplomacia, o poder da palavra pode fazer enorme
diferença para alterar o contexto e os temas em enfoque, sendo instituição central
das pesquisas sobre barganha e comunicação estratégica (Zartman e Touval 1985).
Para demonstrar como tal teoria constitui ferramenta analítica adequada para