
Burguesia Interna e Itaipu: Revisão de 2009 e Crise de 2019
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 20, n. 2, e1596, 2025
16-22
Embora a FIESP não tenha se posicionado em 2019, em documento de 2024
sobre sua proposta para a renovação da tarifa de Itaipu ela crítica a prática
paraguaia de subcontratação da energia vinculada (Fiesp 2024). Segundo a
entidade empresarial, foi pago até 2022 US$ 2,34 bilhões a mais pela energia
de Itaipu desde 2003, ano que, segundo a federação, o Paraguai teria iniciado a
subcontratação da energia em relação à demanda paraguaia, assim vendo como
positivo a Ata Bilateral e o acordo de dezembro na correção dessa defasagem
(Fiesp 2024). Entretanto, a FIESP destaca que devido a reduções discricionárias
da energia vinculada, entre os anos de 2019 e 2022, os efeitos do acordo foram
anulados e apontou que o Paraguai deveria ter tido em 2021 uma contratação
proporcional de potência de 1982 MW, assim ela calcula que o efeito global da
subcontratação paraguaia e da redução da energia vinculada teriam custado ao
país US$ 2,73 bilhões ou R$14,3 bilhões (Fiesp 2024).
Outra entidade que se posicionou sobre o assunto foi a Associação Brasileira
dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (ABRACE), entidade
que representa a grande indústria consumidora de energia, especialmente nos
setores de mineração, siderurgia, alumínio, petroquímica, papel e celulose, vidros,
cloro-soda, têxtil, automobilístico, alimentício, gases industriais, ferro-ligas e
cimento, e tendo como associados tanto empresas nacionais como multinacionais
Vale, Gerdau, Usiminas, CSN, Alcoa, Ambev, Cargill, Nestlé, Bayer, Votorantim,
GM, Braskem, dentre outras.
No meio da crise da Ata Bilateral, a ABRACE se posicionou afirmando que
“o acordo firmado em maio de 2019 procurou corrigir as distorções”, mas ainda
destacando que, mesmo com a Ata Bilateral, “o Brasil continuaria subsidiando
a energia do Paraguai, sendo que nos próximos anos esse custo seria de
US$ 400 milhões” (Abrace 2019, online). Em entrevista ao jornal o Estado de São
paulo, o presidente da ABRACE, Paulo Pedrosa, reafirmou o posicionamento de
que o Brasil estava subsidiando a energia paraguaia, indicando a diferença no
preço da energia pago entre os dois países em 2018 (US$ 24 MWh no Paraguai e
US$ 38 MWh no Brasil), gerando um custo de US$ 1,6 bilhão a mais para o Brasil
(Warth e Turrer 2019). O presidente da ABRACE também comenta que a situação
gera uma perda de investimentos na indústria por causa do custo da tarifa no
país: “Em um momento em que o Brasil não cresce e a indústria não investe,
o Paraguai cresce 6% por ano, até mesmo com investimentos dos empresários
brasileiros que migram para o país vizinho para aproveitar a energia barata”
(Warth e Turrer 2019, 35). Por fim, destaca-se que a entidade não se posicionou
sobre o acordo firmado em dezembro de 2019.